Geraldo Magela de Oliveira

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O CAMINHAR descalço - Crônicas do Oliver

Crônicas do Oliver

O CAMINHAR descalço

Olá,

Em um bate papo com uma amiga muito especial, nos lembramos um pouco de nossa infância. Falávamos de experiências vividas, amores correspondidos ou não, das coisas sobre as quais devido ao não conhecimento acreditávamos piamente e hoje se tornaram mitos e devido a toda a nossa inocência fomos extremamente felizes. Porém ao falar que fomos felizes pode-se dar a impressão que a felicidade foi embora devido a nossa maturidade. Então refleti e notei que o melhor, é que apesar de termos crescido, não deixamos de ser aquelas crianças e adolescentes de uma época saudável. Falo saudável, pois as crianças de hoje já não vivem a infância em sua plenitude. Vivem cercadas por professores de idiomas, música, natação, artes marciais e também cercadas pela tecnologia dos videogames e smartphones. As crianças de hoje em sua grande maioria já não veem os pais, pois lidam diariamente com servidores e isto está tirando toda a inocência que é inerente a idade. Os adolescentes, mal saem das fraldas e já estão namorando e apesar de não ter nada contra o namoro, fico preocupado com a velocidade da intimidade que estes namoros tomam atualmente. Sinto falta daquele tempo. Um tempo onde podíamos sair de casa e os namoros eram nas portas das casas, no átrio da igreja, nas sorveterias e nos barezinhos ouvindo boa música. Mas também, sinto falta de poder andar descalço sem me preocupar em pagar um resfriado. Andar na chuva, sentir o cheiro da relva molhada e de deitar na grama a pensar na menina amada. Este era um tempo onde nossas mães cuidavam de qualquer doença nos dando um comprimido de Novalgina que era vendido no bar do Seu Antônio e se não houvesse Novalgina, havia também a Cibalena e o Melhoral. Sem contar que para os cortes era utilizado o famigerado Merthiolate que ardia até a alma. Quantas saudades de ter as tampas dos dedões arrancadas ao jogar bola na rua, as pernas todas arranhadas pelos pedais da bicicleta e sem contar o traseiro ralado nos carrinhos de rolimã. Quanta saudade deste tempo. Mas, a maior saudade é de saber que muito se perdeu daquele tempo e algumas coisas jamais serão reparadas. Porém, tenho a certeza de que apesar do tempo passado, muito pode ser vivido hoje. Então, é hora de acreditar cada dia mais que apesar estarmos distantes da inocência, podemos crer que o futuro que nos espera pode e deve ser melhor. O mundo dá voltas e o nosso passado pode se tornar presente desde que acreditemos que isso pode acontecer. Para isso, basta que creiamos ser possível e tudo conspirará ao nosso favor. hoje é o dia e a hora é agora. O dia de nossa decisão chegou e tenhamos coragem para dar o primeiro passo rumo ao futuro almejado por nós.

Na certeza de que sou capaz de vencer, dou o primeiro passo.