A Hipocrisia e suas máscaras!
Olá,
Já há algum tempo, eu escrevi sobre o ser humano e suas debilidades de caráter, e por mais que falem, escrevam, ministrem e ensinem, o “ser humano” teima em não melhorar e mudar suas atitudes e comportamentos. E então olhando por este prisma, resolvi falar um pouco desta beldade que continua imberbe e acentuada no íntimo das pessoas. Essa beldade, é simples e objetiva em tudo o que faz e nela sempre existe alguém disposto a morar. No entanto, há quem viva como se estivesse sempre em um palco. O rosto é um, mas o personagem é outro. As palavras que deslizam como mel, carregam o fel escondido. Essa, é a velha arte da hipocrisia, um teatro cotidiano onde tantos ensaiam virtudes que não possuem e aplaudem a si mesmos diante de plateias distraídas. A hipocrisia não grita, não bate à porta. Ela chega sutil, com um sorriso ensaiado e gestos de bondade calculados. É como um perfume barato que, à primeira impressão, parece doce, mas logo revela o cheiro azedo. Assim, o hipócrita é um ator consumado, que sabe modular a voz, inclinar a cabeça, erguer as mãos, ao defender princípios com o mesmo fervor com que, em segredo, os despreza.
Para isso, olhe ao seu redor, ela está em todo lugar.
Está no homem público que se declara servo do povo, mas se serve de privilégios. Está no religioso que condena pecados com voz de trovão, mas se alimenta dos mesmos pecados nas sombras. Está no amigo que prega lealdade, mas carrega a faca atrás das costas. A hipocrisia é sorridente e polida, mas seus olhos denunciam e sempre olham mais para si do que para o outro. Mas ela também se esconde dentro de nós. Pois, quantas vezes cobramos a disciplina que não temos? Quantas vezes aconselhamos paciência enquanto a nossa se esgota em minutos? Quantas vezes silenciamos a verdade para manter a boa imagem? É fácil apontar o dedo para o hipócrita alheio, difícil mesmo, é reconhecer o espelho que ela nos oferece. A máscara não está apenas nos outros, na maioria das vezes é a nossa que pesa.
A sociedade em que vivemos, é mestra em saber vestir esse disfarce. Ela se encontra no país que proclama igualdade, mas mantém privilégios, na empresa que estampa campanhas sociais, mas explora em silêncio e na família que ergue a bandeira de valores, mas esconde feridas dentro de casa. A hipocrisia também pode ser coletiva como uma cortina de fumaça que todos fingem não ver, mas que sufoca lentamente nossa confiança e a esperança.
E, no entanto, não há nada mais frágil do que a mentira disfarçada de virtude. A máscara pode ser bem esculpida, pode resistir ao tempo, pode até enganar muitos olhares, mas não engana para sempre. O tempo é o melhor escultor, pois é paciente, desgasta, racha, expõe. Mais cedo ou mais tarde, a farsa se revela, e o ator se vê nu diante da plateia.
Mas para ela, existe um excelente antídoto, que é simples, mas exige muita coragem.
O antídoto é a coerência. Ser coerente é viver sem precisar de disfarces. É permitir-se ser verdadeiro, ainda que imperfeito. É ter a ousadia de admitir as próprias falhas em vez de escondê-las. A autenticidade não exige máscaras, exige apenas verdade. E a verdade, por menor que seja, ilumina mais que a mais bela das mentiras.
No fim, a hipocrisia é apenas um teatro de sombras.
E o que o mundo precisa não são de atores exímios, mas de pessoas inteiras, capazes de alinhar palavra e gesto, fé e prática, promessa e atitude. Talvez a maior revolução não esteja em discursos inflamados nem em grandes palcos, mas no simples ato de viver com transparência.
Por isso, como dizer algo rebuscado de forma simples?
Seja você mesmo, verdadeiro, puro, correto e acima de tudo um amante do ser humano e um servo amoroso de Deus, Ilumine por onde passe, fale a verdade e não deixe que as máscaras sejam sua referência de pessoa.
Ame muito ao seu próximo, mas se ame em primeiro lugar, pois a hipocrisia não encontra lugar no coração e na mente daquele que ama verdadeiramente e serve a Deus com fervor.
Lembre-se que hoje é o primeiro dia do resto das nossas vidas, e portanto o momento certo para mudar.
Porque a vida não pede perfeição, ela pede sinceridade e que nenhuma máscara, por mais bem feita, resiste ao peso da luz da verdade.
Aguardo a Arca!



