Geraldo Magela de Oliveira

Contato

A Árvore do PAU DOCE - Crônicas do Oliver

Crônicas do Oliver

A Árvore do PAU DOCE

Olá,

Há bem poucos dias, em um passeio com minha família me deparei com algo que já não via há muitos anos e que remeteu à minha infância como uma terna lembrança. Vislumbramos uma árvore de Hovenia dulcis, que é mais conhecida pelo nome de árvore de pau doce ou uva japonesa. Lembrei-me de uma vizinha que possuía uma árvore dessas em casa e nos permitia subir afim de pegarmos aqueles ramos super doces e nos encantavam o dia inteiro. Porém, ao me deparar com esta árvore também me sobreveio um misto de tristeza e melancolia haja vista ser a única em todo o bairro. O que é infelizmente o mau uso da natureza por nós seres humanos. Onde deveriam ter árvores, construímos arranha-céus, nos lugares das hortas construímos estradas de asfalto, nos lugares dos córregos e riachos são construídas galerias a fim de as sobrepormos com avenidas. Então aquela árvore que matava a nossa fome deixou de existir, aquela horta que antes nos alimentava, hoje somente nos trazem saudade e fome. E os córregos onde pescávamos, hoje estão cheios de esgoto. Este é o ser humano em sua ganância desenfreada transformando a terra em um lugar estéril e incapaz de sobreviver. Mas também me lembrei de outra planta de minha infância. O Confrei que foi descoberto como planta medicinal de alto teor curativo e cicatrizante nos idos de 1980, também desapareceu por causa da mesma ganância. E assim poderia listar muitas outras plantas. Já não se vê o Picão, Carqueja, Losna e tudo isto por causa de nossa incessante busca pelo dinheiro em que nos levou a transformar as matas e florestas em uma Selva de Pedra. Estaria sendo hipócrita se somente colocasse a culpa disso em outros, porém a culpa também é minha, pois não abro mão de andar pela cidade em meu carro com ar-condicionado, morar em um prédio bem localizado, ter o meu smartphone sempre com a bateria carregada e calçar sapatos de couro. Mas, é esta a terra que quero deixar para meus descendentes? Onde está o meu amor pelas minhas filhas? Onde está o meu amor pelo meu semelhante? Deve ter sido fechado um algum baú a sete chaves para que eu possa usufruir de tudo isto sem sentir culpa. É passada a hora de nós seres humanos acordarmos para a vida e perceber que sem uma mudança radical em nossos hábitos, não teremos o que deixar para nossa descendência. Precisamos crer que somos capazes de mudar e fazer com que a natureza se refaça trazendo de volta para nós mesmos, todo o brilho verde que tínhamos em nossa infância. É fácil? com certeza não. Mas nem por isso devemos esmorecer. É chegada a hora de tomarmos uma posição diante de nós mesmos e fazer algo de bom em nossas vidas, E que esse algo seja a valorização e a reconstrução de quem já nos deu tanto e só pede que não o destruamos mais.

O meio ambiente agradece e a vida de nossos filhos e filhas será salva da destruição.

Porque creio que sou capaz de mudar e também aqueles que comigo convivem, clamo a um renovo de nossos ideais.

Viva a Árvore de Pau Doce